sábado, 24 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

SIMPÓSIO LAUDATO SI E QUESTÕES AMBIENTAIS

Nos dias 9, 10 e 11 de setembro de 2016, aconteceu, no CTL (Centro de Treinamento de Líderes), na cidade de Caetité, a Conferência sobre a Laudato Si – a raiz humana da crise ecológica. O encontro foi dirigido pelo Pe. César, da diocese de Jequié.  O simpósio foi uma realização da Região pastoral IV da CNBB NE 3, composta pelas dioceses de Caetité, Jequié, Livramento de Nossa Senhora e a arquidiocese de Vitória da Conquista.
No dia 9, a reflexão foi acerca da nova Encíclica do Papa Francisco, intitulada “Louvado sejas” (Laudato Si), que tem como objetivo refletir sobre o cuidado da casa comum, unindo toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, fazendo com que todos, independentemente de sua fé / crença, possam refletir e repensar suas atitudes diante de uma grave crise ambiental que nos ameaça, enfatizando a questão de uma crise ecológica mundial, apresentando as consequências graves que tudo isto traz para nossa vida prática, procurando renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta, tendo como visão panorâmica a mudança de paradigmas, ou seja, a quebra dos mesmos, apontando para novos e alternativos estilos de vida, em que o bem comum deverá ser um interesse primordial em direção ao cuidado responsável e universal, com uma espiritualidade integral e encarnada, tendo a tomada da consciência como uma perspectiva geral. O ser humano é a raiz da crise ecológica, pois este apresenta um modelo desordenado de conceber a vida, não dando o valor devido à mesma.
Além da reflexão relacionada à Laudato Si, o Simpósio teve como foco as questões ambientais, dando ênfase à exploração desordenada dos recursos minerais, como o amianto, o talco e o Urânio nas regiões de Caetité, Brumado e Bom Jesus da Serra, destacando os impactos à saúde e à dignidade da pessoa humana, com a Dra. Fernanda Giannasi; Mapa da Injustiça Ambiental, com enfoque na Bahia, especialmente na região Sudoeste, com a Dra. Tânia Pacheco; Armadilhas do Novo código de Mineração, com o Advogado Assessor da SINDMINE Pedro Mahim; Mineração de urânio: saúde, trabalho e ambiente: Dr. Renan Finamore. Além da participação dos líderes das comunidades atingidas pela mineração da INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e a (CPMA) Comissão Paroquial do Meio Ambiente de Caetite, na qual são integradas nove entidades. São elas: Associação Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania; Cáritas Regional Nordeste III; Comissão Pastoral da Terra (CPT), Paróquia de Caetité; Movimento Ambientalista Terra (AMATER), Levante Popular da Juventude; Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Sindicato dos Mineradores de Brumado e Região e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetité e Pindaí.
 Em sua fala, a Dra. Tânia destaca a Injustiça Ambiental, definida como “o mecanismo pelo qual sociedades desiguais do ponto de vista econômico e social destinam a maior carga dos danos ambientais às populações de baixa renda, aos grupos sociais discriminados e aos povos étnicos tradicionais” que são vulneráveis ao poder das grandes empresas, sendo os indígenas, quilombolas e ribeirinhos, as principais vítimas do processo de mineração, as quais são deslocadas de suas terras para que as empresas possam se instalar, ou vivem pressionados com medo, quando essas se localizam em torno de suas moradias, além dos agricultores e das populações urbanas, que sofrem com os desastres ambientais. De acordo com o Mapa da Injustiça Ambiental, a Bahia apresenta 43 (quarenta e três) casos de conflitos ocasionados pela exploração dos recursos naturais e minerais, envolvendo agricultores familiares. Em relação aos atingidos, os indígenas representam 29, 40% de uma população de 0, 4%, os quilombolas 21, 04%, exploração essa causada por diversos fatores, entre eles a atuação de entidades governamentais representando 58, 20%, tendo como consequências a alteração no uso e ocupação do território e piora na qualidade de vida, representando respectivamente  65, 80% e 83, 80%. As comunidades apresentam como parceiros o MPF (Ministério Público Federal), Organizações não governamentais e Organizações ligadas a Igreja.
A Dra. Fernanda Giannasi enfatizou as consequências da exploração do urânio, condições de trabalho e a radiação ionizante na área do entorno da mina de urânio. Segundo Dra. Fernanda, não há nível ou limite seguro para exposição à radiação. Ao serem expostos, ou entrarem em contato com 50/msv (milisievert) da mesma, os trabalhadores correm um sério risco de desenvolverem o câncer a cada 50 anos. Ainda não há um destino certo para o lixo radioativo. Esse fica armazenado em lugares com infraestrutura precária, fazendo com que a saúde do ser humano e o meio ambiente sejam contaminados. A falta de informação por parte do trabalhador é outro grande problema, pois esses não sabem o que estão manipulando e os danos que tal manipulação pode lhes trazer, pois não há um monitoramento constante dos trabalhadores para se prevenir problemas de saúde, violando os direitos dos mesmos.
O Advogado Pedro Mahim da SINDMINE esclareceu as Armadilhas do Novo Código de Mineração, que possui uma proposta de caráter liberal, apresentando a primazia dos interesses da mineração sobre os demais, tanto em áreas de domínio privado como público, ou seja, direito de prioridade, apresentando uma deficiência, não explicitando os compromissos dos mineradores para com o meio ambiente.
O Dr. Renan Finamore, em sua fala, traz o conceito de urânio, ressaltando os riscos e impactos ambientais, sendo eles: poluição atmosférica, poluição hídrica, poluição do solo, além dos perigos de inalação, ingestão e exposição direta e indireta. Mais uma vez, o câncer é citado como uma das consequências da exposição à radiação. Em relação aos problemas de saúde observados nas comunidades situadas na área circunvizinha à mina de urânio, a busca ativa de casos de câncer pelas organizações comunitárias levantou até o momento 21 casos confirmados de câncer.
A CRIIRAD (Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre Radioatividade) exige mais transparência da INB acerca da descontaminação das áreas mais impactadas, a melhoria do programa de monitoramento ambiental, a gestão de seus resíduos radioativos e sua política para a proteção dos trabalhadores contra radiação ionizante. É imprescindível que haja ações voltadas à preservação dos trabalhadores e da população em torno da INB.
Durante a palestra, algumas perguntas foram dirigidas aos palestrantes, que as responderam claramente. Houve, também, as colocações de representantes das comunidades, apresentando seus pontos de vista, ressaltando a importância dos movimentos sociais, que têm como principal crítica a falta de transparência e omissão sobre os reais fatos em torno da INB.
A exploração desordenada por parte do ser humano vem causando danos irreversíveis ao meio ambiente, a contaminação do solo, das águas, e dos recursos hídricos, sendo uma ameaça à vida na terra.
Ao final, os participantes foram divididos em grupos, para responder às seguintes perguntas: Quais os elementos centrais das apresentações feitas que nos interpelam? Quais ações propomos?
Em seguida, os representantes expuseram suas respostas e apresentaram as propostas. Depois, as dioceses se juntaram para que pudessem combinar os compromissos a partir dos encaminhamentos dos comunicados pastorais por grupos. A Diocese de Livramento de Nossa Senhora relatou a importância de conscientizar as populações em relação aos danos causados pelas minerações, a importância dos movimentos sociais na luta contra os mesmos, a articulação de grupos pastorais do meio ambiente, a busca de parcerias com o conselho municipal do meio ambiente, elaboração de folder informativo sobre os impactos ambientais causados pelos grandes projetos, partilhar as informações do Simpósio no Conselho Pastoral Diocesano, juntos elaborar propostas concretas, partindo da realidade de cada município.
O Simpósio se encerrou no dia 11, com uma celebração. É essencial que tudo o que foi dito durante o Simpósio não fique apenas na teoria, pois essa sem a prática não tem fundamento algum, afinal ambas trabalham de forma mútua, relacionando-se entre si. O meio ambiente é a nossa casa, cabe a nós trabalharmos juntos para protegê-lo.

“... por que um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus...” Encíclica do Papa Francisco, Laudato Si

                                             
Karina Cruz dos Santos

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Fotos da Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Ibitiara

                                                                               

                                      
                               
                                   

                                       




















segunda-feira, 12 de setembro de 2016

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